Há os que fazem materializações..
Grande coisa! Eu faço desmaterializações.
Subjetivações de objetos.
Inclusive sorrisos,
Como aquele que tu me deste um dia com o mais puro
[azul de teus olhos
E nunca mais nos vimos ( Na verdade, a gente nunca
mais se vê...) No entanto,
Há muito que ele faz parte de certos estados do céu.
De certos instantes de serena, inexplicável alegria,
Assim como um vôo sozinho põe um gesto de adeus na
[paisagem,
Como uma curva de caminho,
Anônima,
Torna-se às vezes a maior recordação
[de toda uma volta ao mundo!
Há muito que os marcianos invadiram o mundo:/ São os poetas / e/ Como não sabem nada de nada / Limitam-se a ter os olhos muito abertos / E a disponibilidade de um marinheiro em terra... / Eles não sabem nada nada / E só por isso é que descobrem tudo. (Mario Quintana)
sexta-feira, 3 de abril de 2009
segunda-feira, 30 de março de 2009
Canção - de Cecília Meireles
Não te fies do tempo nem da eternidade
que as nuvens me puxam pelos vestidos,
que os ventos me arrastam contra o meu desejo!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te vejo!
Não demores tão longe, em lugar tão secreto,
nácar de silêncio que o mar comprime,
ó lábio, limite do instante absoluto!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te escuto!
Aparece-me agora, que ainda reconheço
a anêmona aberta na tua face
e em redor dos muros o vento inimigo...
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te digo...
que as nuvens me puxam pelos vestidos,
que os ventos me arrastam contra o meu desejo!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te vejo!
Não demores tão longe, em lugar tão secreto,
nácar de silêncio que o mar comprime,
ó lábio, limite do instante absoluto!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te escuto!
Aparece-me agora, que ainda reconheço
a anêmona aberta na tua face
e em redor dos muros o vento inimigo...
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te digo...
domingo, 22 de março de 2009
Passarinho, por Fábio Paradela
Estou tão triste pois eu amo tanto!
- Mas desde quando amar me traz tristeza,
Lavando a alma em rios de amargo pranto
Ao ver a flor sem enxergar beleza?!
Será que choro por não ser amado,
Ou por que acho que assim vou morrer?
- Só sei que choro por ser condenado
A esse amor dentro de mim reter...
"Amor pra dentro" fere mais que ódio
Pois gela a alma e queima o coração.
Amor sincero é como um passarinho
Que foi criado pra ter amplidão...
E quando é solto da gaiola fria
Ele alça vôo rumo ao infinito,
Conquista um céu que antes não havia
E livre é o fim do meu olhar aflito...
Por isso eu grito no lugar do pranto:
- Estou tão triste, mas eu amo tanto!!
Sugado do Site de Poesias
- Mas desde quando amar me traz tristeza,
Lavando a alma em rios de amargo pranto
Ao ver a flor sem enxergar beleza?!
Será que choro por não ser amado,
Ou por que acho que assim vou morrer?
- Só sei que choro por ser condenado
A esse amor dentro de mim reter...
"Amor pra dentro" fere mais que ódio
Pois gela a alma e queima o coração.
Amor sincero é como um passarinho
Que foi criado pra ter amplidão...
E quando é solto da gaiola fria
Ele alça vôo rumo ao infinito,
Conquista um céu que antes não havia
E livre é o fim do meu olhar aflito...
Por isso eu grito no lugar do pranto:
- Estou tão triste, mas eu amo tanto!!
Sugado do Site de Poesias
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Idealizações - V (Augusto dos Anjos)
A Santos Neto
Agora é noite! E na estelar coorte,
Como recordação da festa diurna,
Geme a pungente orquestração noturna
E chora a fanfarra triunfal da Morte.
Então, a Lua que no céu se espalha,
Iluminando as serranias, banha
As serranias duma luz estranha,
Alva como um pedaço de mortalha!
Nessa música que a alma me ilumina
Tento esquecer as minhas próprias dores,
Canto, e minh'alma cobre-se de flores
- Fera rendida à música divina.
Harpas concertam! Brandas melodias
Plangem... Silêncio! Mas de novo as harpas
Reboam pelo mar, pelas escarpas,
Pelos rochedos, pelas penedias...
Eu amo a Noite que este Sol arranca!
Namoro estrelas... Sírius me deslumbra,
Vésper me encanta, e eu beijo na penumbra
A imagem lirial da Noite Branca!
Agora é noite! E na estelar coorte,
Como recordação da festa diurna,
Geme a pungente orquestração noturna
E chora a fanfarra triunfal da Morte.
Então, a Lua que no céu se espalha,
Iluminando as serranias, banha
As serranias duma luz estranha,
Alva como um pedaço de mortalha!
Nessa música que a alma me ilumina
Tento esquecer as minhas próprias dores,
Canto, e minh'alma cobre-se de flores
- Fera rendida à música divina.
Harpas concertam! Brandas melodias
Plangem... Silêncio! Mas de novo as harpas
Reboam pelo mar, pelas escarpas,
Pelos rochedos, pelas penedias...
Eu amo a Noite que este Sol arranca!
Namoro estrelas... Sírius me deslumbra,
Vésper me encanta, e eu beijo na penumbra
A imagem lirial da Noite Branca!
sábado, 6 de dezembro de 2008
Tudo tão vago... Quintana
Tudo tão vago... Sei que havia um rio...
Um choro aflito... Alguém cantou, no entanto...
E ao monótono embalo do acalanto
O choro pouco a pouco se extinguiu...
O Menino dormia... Mas o canto
Natural como as águas prosseguiu...
E ia purificando como um rio
Meu coração que enegrecera tanto...
E era a voz que eu ouvi em pequenino...
E era Maria, junto à correnteza,
Lavando as roupas de Jesus Menino...
Eras tu... que ao me ver neste abandono,
Daí do Céu cantavas com certeza
Para embalar inda uma vez meu sono!...
Um choro aflito... Alguém cantou, no entanto...
E ao monótono embalo do acalanto
O choro pouco a pouco se extinguiu...
O Menino dormia... Mas o canto
Natural como as águas prosseguiu...
E ia purificando como um rio
Meu coração que enegrecera tanto...
E era a voz que eu ouvi em pequenino...
E era Maria, junto à correnteza,
Lavando as roupas de Jesus Menino...
Eras tu... que ao me ver neste abandono,
Daí do Céu cantavas com certeza
Para embalar inda uma vez meu sono!...
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Pessoas - Felix Ventura
Pessoas não são cores,
mas as cores das pessoas
são heranças, dogmas.
Pessoas coloridas,
maculadas, impolutas,
de cores misturadas,
ainda assim, não são cores.
Pessoas são pessoas
e cores, pretextos.
Poesia de Felix Ventura
mas as cores das pessoas
são heranças, dogmas.
Pessoas coloridas,
maculadas, impolutas,
de cores misturadas,
ainda assim, não são cores.
Pessoas são pessoas
e cores, pretextos.
Poesia de Felix Ventura
domingo, 9 de novembro de 2008
Refazimento - Felix Ventura
Refaço
a poesia
infinitésimamente,
como se
sempre nova e
à prova
do tempo.
Dou a
mão,
deito à
cama
soprando
a reza
de quem
ama.
Apago
a luz
e a palavra
não dorme.
(Poesia de Felix Ventura)
a poesia
infinitésimamente,
como se
sempre nova e
à prova
do tempo.
Dou a
mão,
deito à
cama
soprando
a reza
de quem
ama.
Apago
a luz
e a palavra
não dorme.
(Poesia de Felix Ventura)
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